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Personalidades

Wilson Sábio de Mello

Wilson Sábio de Mello

Wilson Sábio de Mello (1926–1998) foi empresário e um dos principais nomes da Samello. Filho de Miguel Sábio de Mello, participou da modernização da empresa, da produção do mocassim e de sua expansão internacional.

Um menino dentro da oficina

Wilson Sábio de Mello nasceu em 17 de janeiro de 1926, em Franca. Era o filho mais velho de Miguel Sábio de Mello e Edúlia Ferreira Nunes de Mello, casal que estava à frente da empresa que mais tarde se transformaria na Samello.

A relação de Wilson com os calçados começou muito cedo. Aos 9 anos, enquanto estudava no Colégio Champagnat, começou a aprender o ofício na oficina do pai.

Foi ali, entre máquinas, couro e sapatos, que começou a construir uma experiência que acompanharia toda a sua trajetória.

Mais tarde, complementou a formação prática com estudos de Contabilidade, Economia e Administração de Empresas, preparando-se para assumir responsabilidades cada vez maiores dentro dos negócios da família.

A viagem que trouxe novas ideias para Franca

Em 1947, Wilson acompanhou o pai, Miguel Sábio de Mello, em uma viagem aos Estados Unidos. O objetivo era conhecer fábricas, máquinas e novas técnicas de produção.

A viagem teria consequências importantes para a empresa e para a própria indústria calçadista francana.

Nos anos seguintes, seus irmãos Miguel Sábio de Mello Filho e Oswaldo também foram enviados aos Estados Unidos para aprofundar seus conhecimentos. O contato com a indústria norte-americana trouxe para Franca novas técnicas e, entre elas, um modelo de calçado que ainda era novidade no Brasil: o mocassim.

O mocassim muda o mercado

O mocassim tinha uma construção diferente dos calçados predominantes naquele período. Era mais flexível, leve e confortável e, em vez da montagem tradicional, era construído de baixo para cima, a partir do solado.

A Samello passou a desenvolver o modelo em Franca e transformou o mocassim em um dos grandes símbolos de sua trajetória.

Wilson teve participação importante nesse processo. Pesquisas sobre a história da indústria calçadista mostram que o modelo ajudou a provocar uma mudança significativa no mercado brasileiro e influenciou outras fábricas de Franca.

O sucesso foi tão grande que o mocassim se tornou um dos produtos que ajudaram a consolidar a imagem da Samello e a ampliar sua presença no mercado.

A fábrica começa a mudar

A inovação de Wilson não estava apenas nos produtos.

A partir das décadas de 1950 e 1960, a Samello passou a incorporar novas tecnologias, máquinas e métodos de organização da produção.

Um dos momentos mais importantes aconteceu em 1965, quando a empresa instalou esteiras mecânicas em sua fábrica. A iniciativa foi considerada um marco na introdução da linha de produção na indústria calçadista brasileira e contribuiu para aumentar a produtividade e a competitividade da empresa. Pesquisas acadêmicas apontam Wilson Sábio de Mello e o técnico tcheco Zdenek Pracuch como figuras importantes na concretização desse processo.

A mudança não era apenas tecnológica. Ela representava uma nova maneira de pensar a produção de calçados.

A Samello passou a trabalhar com uma lógica industrial mais organizada, buscando maior produtividade, padronização e capacidade para atender mercados maiores.

Uma empresa que começa a olhar para o mundo

A modernização abriu espaço para outro passo importante: a expansão da Samello para fora do Brasil.

No início dos anos 1970, Wilson participou de negociações que ajudaram a aproximar a empresa do mercado norte-americano. Um relato publicado posteriormente descreve uma viagem aos Estados Unidos ao lado do então ministro Delfim Netto, quando Wilson apresentou seus calçados a um importante comprador americano. O contato resultou em negócios e abriu caminho para uma relação comercial que continuaria por décadas.

A Samello passou, então, a conquistar espaço em mercados internacionais, levando o nome de Franca para além das fronteiras brasileiras.

Mais do que máquinas

Wilson também desenvolveu uma visão empresarial que ia além da produção.

A formação de funcionários, o treinamento profissional e o incentivo aos estudos faziam parte de sua maneira de administrar.

A empresa se tornou também um importante espaço de formação de profissionais. Décadas depois, relatos de empresários francanos ainda destacariam a quantidade de profissionais que passaram pela Samello e posteriormente seguiram seus próprios caminhos na indústria calçadista da cidade.

Essa influência ajudou a fazer da empresa uma espécie de escola para uma geração de trabalhadores e profissionais do setor.

O homem por trás da empresa

Wilson permaneceu durante décadas ligado à Samello.

Em 1990, deixou a presidência da empresa e passou a integrar o Conselho de Administração.

Morreu em 29 de abril de 1998, aos 72 anos.

Sua trajetória, porém, continuou ligada à memória da empresa e à própria história industrial de Franca.

Sua filha única, Regina Consuelo de Luca e Mello, também participou da preservação dessa memória e esteve ligada ao Instituto Cultural Wilson Sábio de Mello e ao Museu do Calçado de Franca.

Um legado que ultrapassou a Samello

A história de Wilson Sábio de Mello está diretamente ligada à transformação da Samello.

Miguel começou com uma pequena oficina e construiu as bases da empresa. Wilson, ainda criança, aprendeu o ofício dentro daquela oficina e, décadas depois, participou de uma transformação profunda: novas tecnologias, novas formas de produção, o desenvolvimento do mocassim e a conquista de mercados internacionais.

A trajetória dos dois acompanha também uma mudança na própria Franca.

Uma cidade que tinha no trabalho artesanal uma de suas principais características passou a desenvolver uma indústria calçadista cada vez mais mecanizada, organizada e conectada ao mercado internacional.

Por isso, a história de Wilson Sábio de Mello não pode ser contada apenas como a história do filho que continuou o trabalho do pai.

É também a história de um empresário que participou de uma mudança de geração na indústria de Franca, da oficina para a fábrica, da produção artesanal para a mecanização e do mercado local para o mundo.